Esta
freguesia do concelho de Carrazeda de Ansiães
conta com uma associação com o intuito
de preservar e divulgar as tradições e
a cultura locais:
Associação Cultural Desportiva
e Recreativa de Beira Grande
Esta associação, de momento, não
dispõe de um grupo executivo, daí que
tenha vindo gradualmente a manter-se inactiva. Ontem
mais do que hoje, a associação promovia
algumas actividades culturais como o “cantar dos
reis” e a participação em cortejos
etnográficos. Em relação às
actividades desportivas era frequente realizar torneios
de futebol, malha e tiro ao alvo.
Em termos de alojamento, a freguesia, de momento, não
tem capacidades para albergar turistas, no entanto,
tudo indica que esta situação venha a
sofrer alteração dada a riqueza paisagística
desta região e os vários locais com interesse
turístico.
A freguesia não dispõe de um Posto Turístico,
todavia o turista para visitar os vários locais
propostos terá apenas de percorrer o caminho
rural da meia encosta que circunda a quase totalidade
da freguesia e aí descobrirá o vasto património
natural que a freguesia tem para oferecer: as margens
do rio Douro, as vinhas e sucalcos do Douro e o Miradouro
do Casal.
A freguesia dispõe ainda de um rico património
arqueológico e arquitectónico, do qual
se destaca: a Igreja Matriz, o cruzeiro, as Ruínas
do Casal e a sede da Junta de Freguesia.
Sede
da Junta de Freguesia
A actual sede da Junta de Freguesia era a antiga
Escola Primária. Esta última estava em
ruínas, daí a Junta ter decidido comprar
o edifício às Finanças. Ao ser
restaurado, procurou-se aproveitar todas as áreas
para a realização de vários gabinetes.
Hoje em dia, a Sede da Junta de Freguesia é considerada
um dos edifícios mais interessantes da freguesia.
Ruínas do Casal
Na parte oriental da localidade, mais concretamente
no cume do monte, encontra-se uma pequena ermida, muito
simples e bonita. Esta ermida está consagrada
a Nossa Senhora da Costa e é considerada um dos
elementos arqueológicos mais importantes da freguesia.
A capelinha existente substitui uma outra que terá
aí existido em tempos remotos, representando
provavelmente um culto pagão.
Cruzeiro
Este cruzeiro fica situado na Fonte Santa.
Diz o povo que este nome deve-se ao facto de, noutros
tempos, ser habitual deslocarem-se aí pessoas
para curar certos males. Certo dia esta secou, porque
segundo a lenda um burro passou por lá. O resultado
disto foi que a fonte desapareceu e no lugar desta apareceu
o cruzeiro.
Era habitual quando se passava neste local, além
dos sinais de respeito e veneração habituais
(como tirar o boné ou o chapéu), rezar
o Pai Nosso e uma Ave Maria, pelas almas do purgatório.
Igreja
Matriz
Neste local de culto reúnem-se todos
os domingos os cerca de duzentos habitantes da freguesia.
De dois em dois anos, altura em que são eleitos
os membros da Comissão Fabriqueira, é
habitual fazerem-se algumas obras de manutenção.
Neste sentido a igreja conserva-se em bom estado de
conservação quer exteriormente quer interiormente.
TRADIÇÕES
As festas tradicionais são uma ocasião
em que a sociedade aproveita para reforçar os
seus laços comunitários e familiares.
Nesse sentido, em Beira Grande é celebrada anualmente,
a 13 de Junho, a festa de Santo António, orago
da freguesia.
Santo António, um dos maiores santos portugueses,
fez-se franciscano, com o objectivo de seguir os santos
mártires de Marrocos. Mais tarde fixou-se em
Itália, leccionando Teologia e pregando por todo
o país. Acabou por morrer em Pádua, com
cerca de quarenta anos, já depois de ter sido
canonizado.
De dois em dois anos, na segunda quinzena do mês
de Agosto, é celebrada na Junta de freguesia
a “Festa Grande”, também em honra
de Sto. António. Nesta festa nomeiam-se os novos
membros da Comissão Fabriqueira e, para além
disso, realiza-se um arraial popular, onde convivem
e dançam os habitantes bem como familiares e
amigos que vêm de outras regiões ou de
outros países.
Nesta freguesia é também tradição
“Cantar os Reis”, no dia 6 de Janeiro, Dia
de Reis.
Outrora, grupos de homens e mulheres iam “cantar
os reis” às portas, sobretudo das famílias
mais abastadas. Cantavam-se quadras rimadas em honra
dos membros da família e, por sua vez, estes
convidavam os cantores com uma chouriça ou outro
enchido ou davam bebidas acompanhadas com pão
de ló e marmelada. Outros davam nozes, castanhas
assadas conforme as posses e a boa vontade de cada um.
Actualmente, esta tradição tem vindo
a perpetuar-se por um grupo de residentes da freguesia
que vão cantar a casa dos restantes habitantes,
juntando-se posteriormente na Sede do Concelho, local
onde estão os representantes de todas as freguesias.
Os jogos típicos mais praticados na freguesia
eram o jogo da malha e o fito. Estes jogos realizados
durante as festas populares e aos domingos parecem ter
caído no esquecimento, pois, ao que se vê,
os jogos actuais são bem diferentes daqueles
que se praticavam.
Malha
A malha deve jogar-se à distância
oficial de vinte e cinco metros, as equipas são
sorteadas quinze minutos antes do início do jogo
e começa o jogo a equipa que tiver sido sorteada
em primeiro lugar. As equipas mudam de campo sempre
que se iniciar uma nova partida, sendo as segunda e
terceira partidas começadas pela equipa que perdeu
a anterior. Cada jogo terminará logo que estiverem
concluídas três partidas.
Relativamente à pontuação, distribui-se
da seguinte forma: após cada derrube de pinoco
são contados seis pontos; após quatro
lançamentos, contam-se três pontos para
a equipa que tiver a malha mais próxima do pinoco;
de cada vez que se vencer uma partida, obtém-se
três pontos.
Fito
Para começar colocam-se dois marcos
e duas pequenas pedras em pé e distantes uns
dez a vinte metros. Dois ou quatro jogadores (neste
caso formando equipa) iniciam o jogo tentando derrubar
o fito: o marco de pedra, ou pelo menos conseguir que
a sua pedra fique o mais próxima dele. O derrube
do marco vale quatro pontos, conseguir pôr a malha
mais próximo que o adversário vale dois.
Ganha quem conseguir chegar primeiro a quarenta pontos.
GASTRONOMIA
Na freguesia de Beira Grande existe uma variedade
de pratos saborosos que vão ao encontro da tradição
gastronómica desta região transmontana.
Desses pratos destacam-se os peixes do rio fritos, a
carne do fumeiro, o folar de carne e os rojões.
ARTESANATO
Dentro do bonito artesanato da região destacam-se
os trabalhos realizados em linho pelas senhoras da freguesia,
tais como, toalhas, saias e ainda objectos de madeira
como, por exemplo, carros de bois executados por carpinteiros.
Na Beira Grande não se conhecem grandes tradições
no fabrico de brinquedos e dada a oferta que, hoje em
dia, existe no mercado, as crianças preferem
de uma maneira geral os mais “modernos”.
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